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RIO+20 - A estratégia é mudar o sistema

Por Léia Tavares, para a Revista Nova Consciência.

Atuando por duas décadas no mercado de capitais, trabalhando como operadora da BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros), a economista Amyra El Khalili já realizou transações gigantescas, negociando contratos e títulos, além de moedas, ouro, petróleo, gado, café e outros insumos. De ascendência palestina – seu pai veio refugiado do Oriente Médio em 1960 – e, tendo conhecido a fundo as mazelas sociais e os mecanismos perversos de exploração da natureza também do homem pelo homem, Amyra sempre esteve engajada na luta pelos direitos das minorias, pelo equilíbrio ambiental e, principalmente, pela paz, razão pela qual já foi indicada para o Prêmio Bertha Lutz 2007, e para o Prêmio Mil Mulheres, ao Nobel da Paz 2004. Lidando diretamente com as grandes especulações internacionais e conhecendo a fundo esse jogo em que tanto se ganha quanto se perde em milhões num mesmo dia, ela passou a estudar a relação direta entre as guerras e o mercado financeiro: “Percebia que a cada vez que o petróleo subia, estourava uma guerra em algum lugar, o que, consequentemente, tinha correlação direta com a morte de pessoas. Quando os banqueiros estão ganhando dinheiro de um lado, proporcionalmente estão morrendo milhares do outro”. Isso serviu para aproximar Amyra das questões que envolvem o ambiente e o desenvolvimento sustentável. Não compactuando com a frenética atividade predadora do mercado financeiro, preferiu lançar-se a novos desafios, dentre eles o de fazer valer a ética nas macro - relações econômicas. Se havia quem estivesse lucrando com o petróleo e as guerras, sua proposta foi a de desenvolver um modelo econômico mais justo e solidário.

E foi assim que ela, em 1996, fundou o Projeto BECE – Brazilian Enviromental Commodities Exchange -, sigla em inglês para Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais, que tem como base o tripé educação, informação e comunicação, formou-se então a Aliança RECOs – Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras. O projeto BECE busca estimular não apenas a produção de pequenos agricultores, como também desenvolver atividades de valorização cultural de pequenas comunidades. Amyra acredita que só por meio da informação é que poderemos construir uma economia mais solidária, respeitando-se as diferenças culturais, multirraciais e religiosas. Mas para isso é preciso uma nova consciência no meio econômico.

Durante duas décadas atuando no mercado financeiro, como você se especializou na questão ambiental?

Estudando o binômio água - energia e constatando que o grande problema do Oriente Médio não era só petróleo, senão a escassez de água. Foi por isso que me senti sensibilizada pelo sofrimento de tanta gente. Entendi que estava diante de uma grave questão ambiental. “Percebia que a cada vez que o petróleo subia, estourava uma guerra em algum lugar, o que, consequentemente, tinha correlação direta com a morte de pessoas. Ao mesmo tempo em que isso gerava em mim um enorme mal-estar, junto dele aflorou uma consciência mais ampla, que me levou a pensar: “Assim não é possível! Esse sistema financeiro, responsável por tantas mortes, deveria estar favorecendo a vida”. Quando os banqueiros estão ganhando dinheiro de um lado, proporcionalmente estão morrendo milhares do outro. E há uma lógica nessa relação; ela não é mera coincidência.

As guerras no Oriente Médio estão diretamente ligadas à questão do petróleo e da escassez de água. Na América Latina, quais são nossos maiores problemas ambientais?

A América Latina é abençoada por Deus. Encontramos em nosso país, por exemplo, a maior biodiversidade do Planeta. Temos, inclusive, água abundante e terras férteis, que os outros continentes já não têm. Contudo, as mesmas preocupações que os meus irmãos árabes têm com as guerras no Oriente Médio, poderão ser as nossas daqui a alguns anos, justamente por conta da escassez da água. Costumo dizer que água e petróleo são hoje a mesma moeda, e logo a água estará ainda mais cara. Outro problema a ser tratado é o de nossa cultura de servidão ao sistema financeiro internacional, essa aceitação passiva de uma subserviência que nos torna sempre vítimas da usura do capital estrangeiro, que só faz fomentar a corrupção endêmica que infelizmente nos assola. Em Cochabamba, por exemplo, já houve convulsão social por causa da água. Já no Uruguai foi necessária uma reforma legislativa para que ela voltasse às mãos do governo e da sociedade, pois estava sendo privatizada. Ora, a água é um recurso natural de uso público chamado bem difuso; pertence, pois, a todos e à Nação. A iniciativa privada não pode simplesmente cercar uma bacia hidrográfica e dizer-se dona dela. Antes de tudo, deve-se prover água suficiente para a agricultura, para os animais e toda a população. Somente seu excedente poderia, em hipótese, ser comercializado. A lei ambiental é clara nesse aspecto. E, além disso, ainda há toda uma série de problemas hídricos que deve ser sanada pelo Brasil a fora.

Poderia exemplificar algum?

Temos o Nordeste inteiro na seca e há regiões que têm água, onde esta, por estar contaminada, não pode, ser consumida. Isso sem falar dos problemas de saneamento básico, dos poluentes, dos dejetos, do material inorgânico e dos resíduos químicos que vão parar nas águas! Hoje os maiores contaminadores de águas no Brasil são as próprias prefeituras. As indústrias, devido à enorme pressão judicial, já começam a ter filtros. Diria que hoje são elas as que menos poluem, salvo exceções. Mas ainda há muito dejeto sendo jogado diretamente na água. Recentemente, por meio de nossas redes de informação, a bióloga ambientalista Rose Dantas denunciou o maior desastre ambiental no Rio Grande do Norte, a contaminação, por resíduos químicos, de vários mangues que deságuam nos rios da região. Resultado: 40 mil toneladas de peixes mortos, isso sem contar as pessoas que se alimentaram deles e que morreram por intoxicação, e do quanto isso tem afetado toda a rede de saneamento básico do estado.

E esses casos não são amplamente divulgados?

Na grande mídia, não. Divulgamos por aqui, pelas nossas mídias ambientais, mídias alternativas. Por isso é que ainda estou em pé, pois acredito na importância da informação colocada de forma honesta e transparente. É preciso torná-la ainda didática para que a sociedade possa pensar melhor seus fatos. De novo me vem à mente a palavra consciência; não adianta fugir dela, e gosto particularmente da expressão nova consciência, porque não podemos querer que as coisas continuem sendo feitas ou resolvidas com base nos padrões ultrapassados das velhas meias verdades, por meio de modelos cada vez mais desgastados. Qual a consciência dos que querem ganhar dinheiro e lucrar a qualquer preço, atropelando, para isso, tanto a ética quanto as pessoas envolvidas em seus negócios?

E como podemos ter uma economia mais solidária?

As negociações deveriam servir para fortalecer as comunidades envolvidas no mercado, propiciando, assim, maior inclusão social às minorias; mas, infelizmente, o que vemos são sempre os grandes devorando os pequenos e desrespeitando suas liberdades e direitos. Numa economia solidária, há maior compromisso entre as partes, que primam, sobretudo, por lisura. Por exemplo, se eu tenho uma rede de comércio e a aceito como parceira, devo, é claro, prestar-lhe orientação e assistência. Diante das falhas, ouvimos as queixas e conversamos, aprendemos juntos a lidar com nossas dificuldades e estamos sempre repensando bilateralmente a nossa relação. Isso é uma relação particular de economia solidária. Extrapolando o exemplo para as redes internacionais de negociações, para acordos comerciais firmados entre países, uma economia solidária é aquela que sabe levar em conta as muitas diversidades, como a questão religiosa, as diferentes culturas envolvidas, as situações socioeconômicas de cada país, etc.... fatores determinantes de uma relação de mútuo respeito, com a qual bem se pode promover a paz e encontrar sempre saídas de conciliação diante dos impasses econômicos. É perfeitamente possível associar afetividade a relações econômicas. É basicamente o que propõe nosso projeto BECE.

Fale um pouco do projeto BECE.

O BECE tem a função de projetar o que existe no mercado financeiro, sua estrutura, seus modus operandi de comercialização e de negociação contratuais, enfim, tudo o que se faz numa bolsa convencional [Bovespa, BM&F], de modo a promover a inclusão social de pequenos e médios produtores. Nesse sentido, nossa experiência nas bolsas é bastante útil, e nos preocupamos em desenvolver um programa voltado a uma nova economia financeira, mediante a qual seja possível ajudar a sanear nosso país. Cunhamos uma nova expressão: commodities ambientais, e assim começamos a desenhar uma commodity não–convencional, como a soja, o milho, o café, etc., voltadas somente para grandes mercados.

E o que são commodities ambientais?

Muita coisa pode se inserir neste conceito. Por exemplo, são commodities ambientais as plantas medicinais, as árvores, os alimentos típicos, os artigos artesanais... praticamente tudo aquilo que não vai parar nas mãos das grandes indústrias, nem aquilo que se produz em escala industrial. São artigos e insumos feitos por pequenos produtores. As commodities têm de estar regulamentadas de acordo com um padrão de mercado legal – para compra e venda interna ou até para exportação -, de modo que não fiquem presas somente ao mercado informal. O conceito de commodities compreende uma “mercadoria padronizada para compra e venda”. Embora não sejam artigos produzidos em série, devem estar padronizados dentro de determinado nível de qualidade e de alguns critérios homogêneos.

Qual a maior implicação da diferença entre as commodities convencionais e as ambientais?

As commodities convencionais geram altos impactos no meio ambiente. Elas determinam monoculturas intensivas do solo, enormes escalas de produção, mais tecnologia e menos mão-de-obra. Já com as commodities ambientais ocorre o contrário: há diversidade da produção, pequenos produtores se organizam em cooperativas e desenvolvem produtos diferenciados, como frutas (cacau), plantas medicinais. Tal produção, em menor escala, pode ser ambientalmente manejada de modo sustentável; pode ser exportada ou vendida internamente e passa a gerar empregos e renda para toda uma população. Agindo assim, cada vez mais trazemos para a vida econômica saudável pessoas que estariam alijadas do mercado, submetidas ao exclusivo jogo de interesses dos grandes investidores.

Poderia nos dar um exemplo prático disso?

Claro! Vejamos o que foi feito com a ayahuasca, bebida atrelada a toda uma história religiosa e própria de algumas culturas indígenas. O que fizeram com ela? “Comoditizaram-na”, isto é, ela foi patenteada nos EUA. Agora, há uma luta jurídica internacional para a derrubada dessa patente, ilegal, a meu ver, posto ser esta bebida um patrimônio da cultura indígena. Quando “comoditizamos”, estamos trazendo algo de uma relação cultural para o mercado. As commodities ambientais são exatamente isso; mas, claro, não para sustentar os interesses financeiros dos empresários ou de grupos lobistas e de certos governos. As commodities visam a trazer benefícios para a própria comunidade que as produz. Afinal, quem deveria ganhar dinheiro com a comercialização da ayahuasca? Seria certo isso? Nem as igrejas que se utilizam da planta como bebida sagrada querem obter lucro algum com ela, ponto este que deveria ser respeitado. Idem em relação às demais plantas medicinais indígenas, que não deveriam estar sendo objeto nem de pirataria ambiental, nem de comercialização por parte dos laboratórios farmacêuticos.

Qual a importância da informação nesse processo?

Trabalhamos com as comunidades, escorados sobre o tripé informação, educação e comunicação. É nessa linha que caminha o projeto BECE. A comercialização em bolsa não é necessariamente o nosso objetivo final, senão o de implantar um novo modelo econômico para a América Latina e o Caribe, onde a moeda seja a produção e não a especulação financeira. Para isso, faz-se necessário que atuemos junto às bases, com pessoas que não têm acesso à internet, que não recebem fácil informação, posto que moram em áreas afastadas, ou em locais onde há exclusão social. Nosso trabalho consiste, ainda, em conscientizar essas populações para que não sejam tolas presas nas mãos dos especuladores, que as levam a assinar contratos absurdos de modo a melhor explorar suas riquezas e matéria-prima. Quando chegamos nesses lugares e falamos ao indivíduo comum, no sentido de melhor orientá-lo, aos poucos vamos inibindo a ação predatória dos grandes especuladores, oportunistas. A única forma de mudar esse modelo econômico deteriorado e disseminado pelo mundo é a partir da ação em pequena escala. Para acabar com a autofagia financeira, é preciso levar aos cidadãos comuns a informação e a educação econômica de forma transparente e isenta, para que cada um saiba melhor se defender e decidir seus caminhos.

Wernech recebe Bruno Covas no CEA Júlio Branco

Secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo visita CEA Julio Branco, ligado a Oscip Piratingaúna e diz que Região da Serra do Mar paulista está em plena recuperação.

“Queremos trabalhar com Ong’s e Oscip’s sérias”. Com estas palavras o secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Bruno Covas, neto do ex-governador Mário Covas, iniciou sua visita ao Centro de Estudos Ambientais (CEA) Júlio Branco, no bairro KM-4, em Barra Mansa no sábado, dia 31 de março. Coordenado pela Oscip Piratingaúna, o CEA Júlio Branco é referência em produção de mudas de Mata Atlântica e no trabalho de pesquisa cientifica feito por alunos do Curso de Biologia do UBM (Centro Universitário de Barra Mansa). Bruno estava acompanhado de Ricardo Maciel e foi recebido pelo presidente da Oscip, Eduardo Werneck que o levou para conhecer os viveiros onde são produzidas cerca de 120 espécies de mudas entre elas pau ferro, ipê amarelo, roxo e branco, guapuruvu, aroeira, pau jacaré, monjoleiro, cácia barbatimão, pitanga, jussara, manacá da serra, lobeira e outras. “Estamos visitando os projetos que dão certo e quem faz um trabalho sério a frente das Ong’s e Oscip’s. Temos uma região muita rica em biodiversidade e que faz divisa com Estado do Rio aqui em Bananal e queremos aumentar a área verde da Serra do Mar, que possuiu uma biodiversidade muito maior que a da Amazônia”, disse Bruno Covas, durante entrevista exclusiva ao jornal Folha do Interior.

De acordo com o presidente da Oscip, Eduardo Werneck, hoje, existem mais 300 mil sementes em processo de germinação. “Até 2013, vamos plantar mais 300 mil mudas. Estamos em fase final do projeto de implantação de um viveiro bastante grande na região entre Bananal e Arapeí para atender o Estado de São Paulo”, explica. Bruno Covas acredita que em curto espaço de tempo, o Estado de São Paulo pretende ampliar sua cobertura vegetal. “Nossa meta é sair de 15% para 17,5%. Mas temos projetos em andamento que estão dando certo como esgotamento, lixo, água, arborização construções sustentáveis. Hoje, temos 426 programas de coleta seletiva em andamento no Estado de São Paulo espalhados pelos 645 municípios”, disse.

CRÉDITOS DE CARBONO PARA QUEM?

A história se repete depois de 12 anos.

Por Amyra El Khalili

Créditos de Carbono para Quem? Novamente a história se repete.

 

A Aliança RECOs também está tentando descobrir a resposta a essa pergunta!

Defendemos a construção de um "novo mercado" que traga investimentos diretos para as populações carentes e excluídas da pirâmide das commodities convencionais, inserindo-os no processo produtivo das commodities ambientais, oferecendo-lhes acesso ao mercado. Na estrutura hoje vigente, o indivíduo desempregado ou sem renda fica totalmente fora do mercado; não tem acesso à água potável, à eletricidade, ao tratamento do esgoto, aos bens, enfim, que compõem as matrizes ambientais.

Entendemos que se não gerarmos ocupação e renda para as populações que vivem das florestas, para as comunidades excluídas, as minorias, os sem-expectativa-de-vida, os pequenos produtores, os extrativistas, os desempregados em geral, não há como preservar o meio ambiente. Tampouco é possível controlar a emissão de poluição, que vai desde os esgotos lançados em nos rios, córregos e mares, até os gases do efeito estufa (dióxido de carbono, gás metano, entre outros) lançados na atmosfera por todos os setores produtivos envolvidos.

Acreditamos que o Brasil tem enorme potencial para desenvolver projetos socioambientais que atendam a interesses maiores do que os de uma classe social, de um ou outro grupo. O País ainda tem condições de expandir esse projeto para outros países, dado o aspecto humanitário que ele envolve.

Por que acreditamos nisso? Porque o Brasil não é um país pobre, e nunca foi, sendo detentor das matrizes ambientais (água, energia, minério, madeira, biodiversidade, reciclagem e controle de emissão de poluentes -água, solo e ar).

O que propomos se sustenta na trilogia legitimidade-credibilidade-ética. Supõe uma participação consciente na promoção de uma economia justa, socialmente digna, politicamente participativa, ecologicamente correta e integrada dentro dos preceitos do desenvolvimento sustentável.

Estamos preocupados com a maneira pela qual as reuniões e debates sobre o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e o Mercado de Carbono vêm sendo conduzidas. A tendência que temos observado é, infelizmente, de que os créditos de carbono repitam novamente os modelos centralizadores, arriscados, limitados e desgastados sob os quais se estabeleceram os contratos de derivativos, as commodities convencionais e os títulos nos grandes centros financeiros.

Se o Fórum Econômico em Davos tem como oposição o Fórum Social Mundial, as Bolsas convencionais e o atual sistema financeiro, enraizado no modelo neoliberal, desumano e injusto, terão como contraponto o Projeto BECE, para que a sociedade possa intervir e corrigir as distorções que estão se institucionalizando.

Depois não digam que não avisamos; aliás, denunciamos!

Creditos ao “E-book Commodities ambientais em missão de paz“ - http://amyraelkhalili.blogspot.com.br/

A terra é dos índios. E o carbono, é de quem?

É uma lambança só este nosso Brasil ou não é?

A Celestial Green atua em um novo setor que se fortalece nos recônditos da Amazônia brasileira: a venda créditos de carbono com base em desmatamento evitado, focado nas florestas. Por estes créditos, a empresa tem procurado indígenas de diversas etnias e teria assinado contratos com os Parintintin,do Amazonas, e Karipuna do Amapá, segundo as suas páginas no twitter efacebook.

No dia 22 de setembro do ano passado, o mesmo João Borges, da Celestial Munduruku, na Câmara Municipal de Jacareacanga, no Pará. Assim que ficou sabendo, a missionária Izeldeti Almeida da Silva, que trabalha há dois anos com os Munduruku, correu para lá: “Fui pega de surpresa. Depois falei com um dos líderes e ele disse que fazia tempo que estavam negociando com um grupo pequeno de lideranças”.

Quando chegou à sala de reunião, diz a freira, o espaço estava cheio. Estavam todos lá: caciques, cacicas, mulheres e crianças. Muitos vestidos para guerra: pintados, com arcos e roupas tradicionais. A reunião foi fotografada pelos dois lados. “Os guerreiros e as guerreiras estavam muito brabos com o pessoal que foram falar lá em cima”, lembra o cacique Osmarino. “As guerreiras quase bateram neles”.

Segundo Izeldeti, o representante da empresa mal conseguiu falar. “Eles gritavam em voz forte que estavam cansados de ser enganados. Disseram: ‘nós sabemos cuidar da floresta, não precisa de ajuda’. As mulheres guerreiras ficaram na fila e cada uma foi falando em Munduruku. Meteram a flecha perto do coração, passavam no pescoço. O representante da empresa disse que não entendia a língua, mas que não tava gostando porque era sinal de ameaça”. O contrato, no entanto, acabou sendo assinado naquele mesmo dia – tanto a empresa quanto os indígenas confirmam.

De acordo com Izeldeti e Osmarino, porém, o contrato foi assinado contra a vontade da maioria da população Munduruku. Os donos do carbono

Totalmente desconhecida no Brasil, a Celestial Green, sediada em Dublin, se declara proprietária dos direitos aos créditos de carbono de 20 milhões de hectares na Amazônia brasileira – o que equivale aos territórios da Suíça e da Áustria somados. Juntos, os 17 projetos da empresa na região teriam potencial para gerar mais de 6 bilhões de toneladas de créditos de carbono, segundo a própria empresa.

Os créditos por desmatamento evitado, ou REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal), não são “oficiais”, ou seja, não podem ser vendidos nos mercados regulamentados pelo protocolo de Kyoto. Este protocolo só aceita, por exemplo, a venda de créditos por uma empresa de um país pobre que troque sua tecnologia por uma menos poluente; os créditos que ela deixará de emitir podem ser vendidos.

No caso das florestas, não há um mecanismo oficial que permita isso. Por isso, os créditos de carbono referentes a florestas são negociados em um mercado voluntário, que não é regulado; empresas como a Landrover, o HSBC, a Google e a DuPont compram esses créditos para sinalizar que estão fazendo algo de bom pelo meio ambiente. O mercado é muito menor do que aquele resultante de projetos previstos por Kyoto: em 2010, o valor negociado foi de cerca de 400 milhões de dólares contra 140 bilhões de dólares do mercado “oficial”.

Na esteira da corrida pelo invisível – créditos de carbono que deixaria de ser emitido por desmatamento – a irlandesa Celestial Green se adiantou: realizou diversas negociações rápidas e à margem de qualquer órgão federal. A empresa promete avaliar o potencial de créditos de carbono depois; mas já garante sua posse sobre eles, por contrato, e o acesso às terras para avaliação. Para Resumir a encrenca CADÊ a FUNAI, por isso defendo que é preciso ter no comando um INDIO. Sem preconceitos!!!! Eduardo Wernech Presidente - OSCIP

Um ano de grandes realizações da OSCIP - Associação Ecológica Piratingaúna

Situada em Barra Mansa – RJ a Associação Ecológica Piratingaúna - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), vem atuando em parcerias com grandes empresas nas diversas áreas, sejam as de meio ambiente, da educação, da cultura e do esporte.

A OSCIP construiu viveiros para produção de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, em vista da demanda e necessidade de reflorestamento de áreas degradadas ou de enriquecimento no entorno das áreas a serem preservadas ou cumprimento de TAC- Termo de Ajuste de Conduta. Por isso, não há varejo de mudas, elas são direcionadas apenas para esse tipo de projeto com previsão de ao menos 200 mil mudas no próximo ano.

Principais Trabalhos: 1 - Estamos realizando a manutenção após o plantio de 40 hectares de espécies nativas para reflorestamento em área de Mata Atlântica na região Sul Fluminense, ARIE - Floresta da Cicuta no entorno da bacia do Rio Brandão, esta é uma parceria com a empresa Construtora Queiroz Galvão, com acompanhamento realizado pelo Ministério Público Federal e ICMbio, foram mais de 85 mil mudas e com mix de 105 espécies.

2 - Recentemente a OSCIP Piratingaúna, contratada pela Construtora ODEBRECHT, que é uma empresa comprometida com a preservação ambiental em seus inúmeros projetos pelo mundo afora, foram plantadas espécies nativas da mata atlântica e criado um cinturão um verde. Este é um exemplo que deve ser seguido por todos. A OSCIP fez recuperação de área de meia encosta no Complexo de Gás da Petrobras na cidade de Guararema – SP e teve o projeto a Responsabilidade Técnica assinada pelo Engenheiro Agrônomo Fausto Ferreira Júnior da empresa parceira da OSCIP a Imperialis Paisagismo e Meio Ambiente.

3 – A OSCIP é mantenedora do CEA – Centro de Estudos Ambientais – Júlio Branco, foi estabelecido Termo de Parceria com o UBM – Centro Universitário de Barra Mansa, desta forma mantém aberto aos alunos e professores para o estudo de fauna e flora em uma área de 30 ha e com 17 ha de mata preservada, bem como para estágios e horas complementares. Além de receber periodicamente alunos de diversos colégios para visitação e promove palestras de educação ambiental. O projeto do CEA – Centro de Estudos Ambientais é gerenciado e as atividades coordenadas pela Bióloga Valeria de Almeida, vale ressaltar que esta área está sendo preparada para ser uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN ).

4 – Outra especialidade da OSCIP é a realização de PRAD – Plano de Recuperação de Áreas Degradadas, citamos por exemplo o realizado com a empresas A Abreu na cidade de Volta Redonda, com o Plantio de Espécies Nativas e manutenção de 24 meses.

5 - Somos Gestores da ARIE – Ilhas do Rio Paraíba do Sul, que está em processo inicial da elaboração do projeto de Plano de Manejo.

6 - Participamos ativamente do Greenmeeting um fórum permanente que atua na execução e na implementação das metas e propostas do Encontro Verde das Américas, podendo se reunir em Conferência em prol de determinadas ações ou questionamentos, que se fizerem necessários para a “Busca de Soluções”. Alem de incentivo a projetos sócio-ambientais. Fórum de dimensão internacional que reúne autoridades de vários continentes.

7 - Promovemos o encontro entre as ONGs Regionais para estabelecer uma linha de comunicação com o Batalhão Florestal do Estado do Rio de Janeiro, o evento, ocorreu justamente no Dia Mundial da Biodiversidade, contou com a presença de autoridades ligadas ao meio ambiente, ONGs, estudantes e professores de biologia do Centro Universitário de Barra Mansa (UBM).

8 - Em parceria institucional e recursos internacionais com a Fundação AVINA realizamos o plano de capacitação com a proposta de constituir uma Rede de Colaboradores de Jornalistas Voluntários, um espaço de interação entre o campo midiático e as atividades do 3º Setor socioambiental. O projeto contou com o apoio e parceria de: REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.portaldomeioambiente.org.br)- Envolverde (www.envolverde.com.br); Rede de Comunicação Ambiental da América Latina e Caribe (RedCalc – www.redcalc.org); Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA); EcoAgência (www.ecoagencia.com.br); Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA – www.rma.org.br) Taking IT Global (TIG – www.takingitglobal.org); Portal de Juventude para América Latina e Caribe (http://www.joveneslac.org); Programa Tunza-Geo Juvenil de PNUMA; Peace Child Brasil.

9 - Projeto Esporte e Lazer da Cidade, em parceria com o Ministério dos Esportes, onde o principal problema a ser equacionado foi acima de tudo e sem duvida o de combater as diversas formas de exclusão hoje existente e ainda a geração de opções de lazer nas comunidades escolhidas gerando desta forma uma melhora acentuada na qualidade de vida das comunidades. Fator este indispensável para as características do município de Barra Mansa, na oportunidade foram atendidas, crianças, jovens e adolescentes, através de diversas modalidades esportivas. Quanto às comunidades escolhidas trata-se de áreas bastante populosas, com poder aquisitivo extremamente pequeno, com pouquíssimas opções de lazer o que deixa grande parte das crianças e adolescentes nos chamados grupos de risco.

10 - Projeto Esporte e Lazer – Vida Saudável, juntamente com o Centro Social Marcello Drable, e através do convênio firmado com a SUDERJ e a OSCIP – Associação Ecológica Piratingaúna, superaram todas as expectativas de seus idealizadores, bem como de seus participantes, profissionais e colaboradores. O número de atendimentos superou o projetado, e várias adequações foram feitas, buscando voluntários e novos espaços para realizarem-se as diversas atividades. Mais uma vez identificamos as carências do nosso povo, através do sucesso de certas atividades, tais como Fisioterapia, Hidroginástica, Curso de Inglês, Dança, Nutricionismo, Computação, entre outras.

Correspondências podem ser enviadas para o escritório na Rua Maria Luiz Gonzaga, 217, Ano Bom Barra Mansa- RJ e Os viveiros da Oscip ficam na estrada Barra Mansa- Bananal, no bairro KM4, nº 1913, contatos podem ser feitos pelos telefones (24) 8814-3066; (24) 9264-2353; (24) 7811-6082 ID: 12*88984 ou ainda através do e-mail: eduardo.wernech@piratingauna.org.

Com certeza este foi um excelente ano e o próximo será ainda melhor!!!!!!

Eduardo Wernech - Presidente

  • Rua Maria Luiza Gonzaga, nº 217, Ano Bom - Barra Mansa / RJ - CEP: 27.323-300
  • +55 24 97403-2849 e +55 24 3323-0224